quarta-feira, 6 de abril de 2011

Como desenvolver oficinaspedagógicas de experiências matemáticas em escolas de período integral

Trabalhar na oficina curricular de tempo integral,é gratificante por ser um trabalho diferenciado das aulas regulares, pois os conteúdos podem ser aprendidos de forma 100% práticas, onde a oportunidade de mostrar a aplicação deles na vida cotidiana do aluno é bem maior,além da forma de ensino-aprendizagem proporcionar mais prazer e estímulo ao aluno, já que permite o desenvolvimento ativo das habilidades cognitivas e específicas de cada um.Mesmo que a pedagogia aplicada na oficina curricular seja diferente das aulas regulares é possível seguir os princípios citados por Comênio:

* deve ser ensinado tudo que se deve saber

*deve-se mostrar a aplicação prática de tudo que é ensinado

*deve-se ensinar de maneira direta e clara

*ensinar a verdadeira natureza das coisas, partindo de suas causas

*explicar primeiro os princípios gerais

*ensinar as coisas em seu devido tempo

*persistir em um assunto até sua perfeita compreensão

*dar a devida importância às diferenças que existem entre as coisas.

Segundo Rousseu, deve ser dado a criança a possibilidade de um desenvolvimento livre e espontâneo, onde o método de ensinar é um procedimento natural, que deveria ser exercido sem pressa, o objetivo da oficina se encaixa perfeitamente neste princípio, onde a aplicação prática dos conhecimentos adquiridos, pelo aluno é valorizado como o agente ativo da aprendizagem onde os métodos respeitam a natureza do aluno, e estes são motivados e estimulados a crescer, enfatizando o desenvolvimento da cidadania.

Para desenvolver ações de ensino aprendizagem nas oficinas é preciso partir do simples para o complexo; desenvolver cada etapa ao seu tempo; partir da crença que todo fruto amadurece, mas precisa de condições adequadas.

O ponto de partida do processo didático, sobretudo será baseado na realidade concreta do aluno ( escola, aluno e sociedade).

Na oficina curricular os princípios básicos a serem valorizados serão: a reflexão crítica, a curiosidade científica, a investigação e a criatividade, associando com o conteúdo que esteja sendo desenvolvido na escola regular, para proporcionar significado e consequentemente o interesse do aluno, passar para eles que a oficina apesar de ter práticas pedagógicas diferentes das aulas regulares, ela não deve ser entendida como parte distinta e estanque das aulas regulares e sim uma ação de natureza contínua, mas com uma dinâmica diferente, onde poderão desenvolver sua criatividade de forma mais livre e prática.

O comprometimento didático deve ser focado em cima de um processo transformador, baseado na cooperação onde a participação de todos seja valorizada e que os alunos percebam a importância do trabalho em grupo, que para formar o todo é necessário um pedacinho da criatividade de cada um.Levá-los a associação entre teoria e prática é fundamental para compreensão e aplicação dos conteúdos na vida cotidiana, assim as habilidades e o desenvolvimento cognitivo será alcançado.

Sem dúvida o que disse Herbart, deve ser colocado em práticas nas oficinas pedagógicas, em especial o que diz respeito a:

*clareza na exposição

*associação dos conhecimentos novos com os anteriores

*sistema

*método

Envolvendo sempre apreparação da aula, apresentação, sistematização e aplicação dos conhecimentos adquiridos.

A didática não deve ser vista apenas como um meio de produzir aprendizagem ela deve ser associada a psicologia, sociologia, política e filosofia, para que ganhe qualidade.Libâneo (1990), enfatiza o processo de ensino como: " O conjunto das atividades organizadas do professor e dos alunos, visando alcançar determinados resultados (domínio de conhecimentos e desenvolvimento das capacidades cognitivas), tendo como ponto de partida o nível atual de conhecimentos, experiências e de desenvolvimento mental dos aluno. (Libâneo,1990, p.79).

O aluno precisa ver significado e utilidade para a vida diária dos conteúdos aprendidos,por isso que as oficinas devem trabalhar em cima do desenvolvimento de habilidades específicas, onde permite que o aluno construa seu conhecimento, sem desvalorizar o papel do professor como mediador deste conhecimento.Mas para obter sucesso é necessário que o professor tenha muito claro seus objetivos e os conteúdos a serem trabalhados bem como os seus métodos de avaliação.Sobretudo, é importante que o professor associe tudo isso ao desenvolvimento da cidadania que é o papel fundamental da escola, que deve ser trabalhado dentro das oficinas. Segundo Romão e Padilha (1998, p.53-55, ao pensar o desenvolvimento de um planejamento na escola, precisamos estar atentos à questão da cidadania.Deve ser desenvolvido o senso crítico do aluno, onde ele possa juntamente com o professor encarar de frente os problemas da escola dentro de um contexto social e educacional, assim estará sendo cumprido o compromisso de gerar aprendizagens e formar cidadãos.

Muitas vezes a escola, o educando e o educador acaba enxergando como entrave a falta de recursos para o desenvolvimento das oficinas pedagógicas, em experiências matemáticas como poucos recursos é possível desenvolver uma infinidade de aprendizagem os alunos poderão desenvolver suas capacidades físicas através da comunicação, onde possa expor a resolução dos problemas, vinculando-se diretamente ao uso de formas geométricas, que poderão ser criadas por eles mesmos, através de materiais palpáveis feitos a partir de coisas simples como folhas sulfites, cartolinas, canudinhos de plásticos e etc, onde será permitido construir e conhecer as formas geométricas através das construções de figuras planas, sólidos geométricos e o famoso quebra-cabeça chinês o Tangran.

Também podem ser criados vários jogos com esses simples materiais já citados e de baixo custo, como por exemplo jogos onde trabalha-se o sistema de numeração decimal, as operação básicas da matemática e suas propriedades, os números inteiros associando-os a débitos e créditos, compreensão do sistema monetário e até mesmo jogos que desenvolvam o ensino-aprendizado algébrico, onde o aluno aprenderá a trabalhar com as variáveis, especialmente enfatizando que a variável X não é a única que representa um número desconhecido.Através dos jogos trabalharão além do raciocínio, o movimento do corpo e a expressão das emoções. Com isso será trabalhado a auto-estima, a motivação, a sensibilidade e a adequação de atitudes no convívio social, levando o aluno a conhecer a si mesmo e aos outros além do conhecimento matemático.

O importante dos alunos mesmos criarem os jogos e não apenas jogarem os jogos prontos, é a valorização artística, onde cada um dará seu toque pessoal, valorizando assim a diferentes culturas, onde eles regem as próprias ações, trabalhando assim valores e opções o que trabalha a construção interna e pessoal que estimula os princípios éticos do aluno.

O ato de jogar, vai fazer com que o aluno se sinta parte de um grupo, estimulando a inserção social deste, fazendo com que ele participe e comprometa-se pessoalmente com as questões de interesse coletivo.

Além deste recurso, outro muito importante e que pode e deve ser usado nesta oficina é o computacional, existem inúmeros softwares livres que podem ser usados pelos alunos que além de desenvolver todas estas capacidades cognitivas já citadas, permitem a construção do conhecimento matemático, como exemplo, pode-se citar o software Cabri Geometre que permite a construção de figuras geométrica pelos próprios alunos e trabalha formas, ângulos, proporcionalidades e semelhanças entre figuras. Além disso a internet é um recurso que pode ser muito aproveitado nesta oficina pois existem muitos sites que permitem jogos on line, visualizações de forma bastante simples das questões matemáticas, em especial pode-se citar as apresentações gráficas diversas e variadas que podem ser encontradas e até construídas pelos próprios alunos.

O objetivo do desenvolvimento desse trabalho, é que os alunos analisem informações relevantes do ponto de vista do conhecimento e estabeleça o maior número de relações entre elas, fazendo o uso do conhecimento matemático para interpretá-las e avaliá-las criticamente.

Sempre será levado em consideração as capacidades e habilidades que o aluno já potencializa e desenvolver as capacidades básicas naqueles alunos que ainda não a possuem.Dentro da oficina deverá ser trabalhado os conteúdos fatuais, onde os alunos poderão assistir algum vídeo onde se trabalhe símbolos, vejam jornais, revistas com dados estatísticos de situações atuais que ocorrem em seu município e no mundo todo.

Os conteúdos conceituais também devem ser trabalhados demonstrando a correlação de fatos, objetos e símbolos nas situações cotidianas, demonstrando as relações de causa e efeito, estimulando cada aluno expor sua opinião sobre o assunto,trabalhando a interdisciplinaridade demonstrando a presença e a importância da matemática em tudo.Os conteúdos procedimentais serão estimulados através das confecções dos jogos, da prática deles e das atividades desenvolvidas com os recursos computacionais, sempre tendo muito claro qual o objetivo a ser desenvolvido com aquela atividade.Por fim, os conteúdos atitudinais já estarão sendo desenvolvidos com todos os outros conteúdos onde os alunos já estarão trabalhando valores,atitudes e normas.

Todo o conteúdo a ser trabalhado, é necessário questionar se os saberes selecionados ocultam conflitos ou problemas sociais, culturais e se fazem circular na escola as necessidades e discursos da diversidade dos alunos." Os conteúdos são meios para que os alunos desenvolvam suas capacidades que lhes permitam produzir e usufruir dos bens culturais, sociais e econômicos" (Brasil, 1997 p. 73).

Outro fator importante nas oficinas é a avaliação do rendimento escolar, não deve ser resumidas no ritual de provas periódicas dentro da oficina curricular,onde são averiguados as quantidades de conteúdos assimilados, as avaliações devem ser acompanhadas no desenvolvimento dos trabalhos práticos, nas discussões em grupos, nas exposições de idéias individuais e criações pessoais sobre o conteúdo desenvolvido associado a realidade social do aluno.

O princípio de avaliação dentro da oficina deve ser desvinculado do processo classificatório, para que o aluno esteja livre e não se sinta pressionado a desenvolver seus trabalhos e tenha sua criatividade estimulada, assim o professor pode fazer sua avaliação através de acompanhamento, visando o crescimento do ensino-aprendizagem de forma progressiva. Ou seja, ela será diagnóstica, onde permitirá a autocompreensão do sistema de ensino,autocompreensão do educador e autocompreensão do aluno." ...a avaliação deverá ser assumida como um instrumento de compreensão do estágio de aprendizagem em que se encontra o aluno,tendo em vista tomar decisões suficientes e satisfatórios para que possa avançar no seu processo de aprendizagem".(Luckesi,1995, p. 81).É importante associar a avaliação diagnóstica a avaliação formativa de caráter observatório, onde permite verificar o que o aluno consegue desenvolver com a ajuda dos outros, ou seja com o trabalho em grupo e com a intervenção do professor,porém esta avaliação não deve ser entendida de forma passiva, ao contrário, no momento em que se observa, que se ouve opiniões alheias, está havendo uma construção de conhecimento, segundo Vigotsky apud Oliveira (1995, p.58-60), a "zona de desenvolvimento proximal" e o potencial de aprendizagem dos alunos quando interagem com os outros ou recebem um pouco mais de ajuda.Este tipo de avaliação permite melhoria de um programa pedagógico em partes ou em seu todo.

Deve haver uma sincronia perfeita entre a oficina de experiências matemáticas e oficinas das demais áreassempre mantendo o contato com o professor regular da sala, procurando saber quais as deficiências do aluno e procurando desenvolvê-la na oficina de forma significativa e prazerosa, enfatizar em cada atividade a interdisciplinaridade da matemática, como ela está presente e se relaciona com todas as disciplinas e com tudo que circunda o mundo.Adequar as atividades da oficina de acordo com a proposta curricular dos estado de São Paulo, os seja fugir do ensino-aprendizagem tradicional e voltá-lo para o desenvolvimento das habilidades específicas e cognitivas, para que o aluno saiba aplicar o conteúdo aprendido na vida cotidiana.

Bibliografia:

Bertanha Pricila,2006-Didática Geral-Centro Universitário Claretiano

Comenio,J A.Didactica Magna.4ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian,1996.

Grasseschi,Castro C. Maria, et al,Promat( Projeto oficina de matemática),2005 (4a-8a.séries)

Ao usar este artigo, mantenha os links e faça referência ao autor:
Como Desenvolver Oficinas Pedagógicas na Disciplina de: EXPERIÊNCIAS MATEMÁTICAS, na Escola de Período Integral publicado 30/01/2009 por Debora Sequinatto Monteiro da Silva em http://www.webartigos.com

Fonte: http://www.webartigos.com/articles/13785/1/Como-Desenvolver-Oficinas-Pedagogicas-na-Disciplina-de-EXPERIENCIAS-MATEMATICAS-na-Escola-de-Periodo-Integral/pagina1.html#ixzz1ImFFDTg8

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